quarta-feira, 22 de julho de 2026

M S passará a oferecer em agosto segunda dose de reforço da vacina contra a poliomielite

 


O Ministério da Saúde passará a oferecer, a partir de 3 de agosto, uma segunda dose de reforço da vacina contra a poliomielite para crianças de 4 anos. Com a mudança, o esquema vacinal contra a doença passa a contar com cinco doses, todas aplicadas com a Vacina Inativada contra a Poliomielite (VIP), disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo a pasta, a inclusão da nova dose tem como objetivo ampliar a proteção das crianças e contribuir para que o Brasil continue livre da circulação do poliovírus. O país não registra casos da doença desde 1989 e, desde 1994, possui certificação internacional como área livre da circulação do vírus, ao lado dos demais países das Américas.

A atualização é destinada a crianças menores de 5 anos. O calendário passa a prever três doses da VIP, aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de idade, seguidas por dois reforços: o primeiro aos 15 meses e o segundo aos 4 anos.

Crianças com o esquema vacinal incompleto também devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Nesses casos, os profissionais avaliarão a caderneta de vacinação e orientarão sobre as doses pendentes. A imunização pode ser realizada até os 4 anos, 11 meses e 29 dias.

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo, explica que a nova dose tem a função de reforçar a memória imunológica da criança.

“Os anticorpos vão reduzindo com o tempo. A dose de reforço desperta essa memória imune e eleva os níveis de anticorpos. Quanto maior essa quantidade, maior tende a ser a duração da proteção”, afirmou.

Apesar de a poliomielite estar eliminada no Brasil há quase quatro décadas, o vírus ainda circula em alguns países. Atualmente, Paquistão e Afeganistão são os únicos locais onde a doença permanece endêmica.

Segundo Flávia Bravo, manter altas coberturas vacinais é fundamental para evitar a reintrodução do vírus no país.

“Enquanto tivermos vírus circulantes, manter níveis altos de anticorpos é fundamental. Dessa forma, a população fica protegida”, explicou.

A especialista também ressaltou que a vacinação desempenha um papel coletivo na prevenção da doença.

“É uma questão de proteção pessoal e de proteção coletiva. Mantendo altas coberturas vacinais, impedimos que, caso um vírus chegue de outros países, ele consiga se disseminar no Brasil”, disse.

Desde novembro de 2024, o calendário nacional utiliza exclusivamente a Vacina Inativada contra a Poliomielite (VIP), aplicada por injeção. A antiga vacina oral, conhecida como “gotinha”, foi retirada do esquema após novas evidências científicas.

De acordo com a especialista, a vacina oral continha um vírus vivo atenuado, que, embora fosse seguro, apresentava um risco extremamente raro de sofrer mutações e voltar a causar a doença. Já a VIP utiliza vírus inativado, sem capacidade de provocar infecção ou sofrer mutações.

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