terça-feira, 13 de outubro de 2026

OMS quer que países identifiquem ameaças à saúde em até 24 horas para evitar novas pandemias

 


A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou uma nova estratégia global para que todos os países sejam capazes de detectar e avaliar ameaças à saúde pública em até 24 horas após seu surgimento. A meta, apresentada nesta segunda-feira (12), pretende fortalecer a capacidade de resposta a surtos de doenças infecciosas e evitar que emergências sanitárias se transformem em epidemias ou pandemias.

O objetivo integra o novo plano estratégico de cinco anos do Centro de Inteligência sobre Pandemias e Epidemias da OMS, que estabelece 2030 como prazo para que todas as nações desenvolvam a capacidade de identificar e compreender rapidamente possíveis ameaças à saúde.

A iniciativa busca ampliar os sistemas de vigilância epidemiológica, fortalecer a cooperação entre governos e acelerar o compartilhamento de informações científicas. Segundo a organização, a identificação precoce de novos patógenos pode permitir respostas mais rápidas e reduzir o risco de disseminação internacional de doenças.

O anúncio foi feito durante a abertura da Cúpula Mundial da Saúde, realizada em Berlim, na Alemanha. Na ocasião, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou a importância de fortalecer os mecanismos de prevenção após as dificuldades enfrentadas durante a pandemia de Covid-19.

De acordo com Tedros, a nova estratégia estabelece um caminho para que governos e instituições científicas consigam responder às ameaças sanitárias antes que elas se transformem em crises de grandes proporções.

Inteligência artificial será usada para identificar possíveis surtos

Uma das principais apostas da OMS para os próximos cinco anos é a ampliação do uso da inteligência artificial no monitoramento de ameaças à saúde.

A tecnologia deverá ser utilizada para analisar milhares de fontes públicas de informação em tempo real, diariamente, com o objetivo de identificar sinais que possam indicar o surgimento de doenças ou surtos ainda não detectados pelos sistemas tradicionais de vigilância.

O monitoramento permitirá que especialistas cruzem informações de diferentes regiões e identifiquem padrões que possam representar riscos à saúde pública.

Outra prioridade será o fortalecimento do sequenciamento genômico e da bioinformática, áreas que permitem identificar e estudar características de vírus, bactérias e outros agentes causadores de doenças.

Segundo a OMS, essas ferramentas são fundamentais para compreender novos patógenos e acelerar o desenvolvimento de testes diagnósticos, tratamentos e vacinas.

Rede internacional reunirá mais de 2 mil especialistas

A estratégia também prevê a mobilização de uma rede internacional com mais de 2 mil especialistas em modelagem matemática e ciência de dados.

Esses profissionais poderão ser acionados rapidamente diante do surgimento de novas ameaças sanitárias, contribuindo para a análise de cenários, a identificação de riscos e a elaboração de medidas de contenção.

A organização também pretende ampliar a Iniciativa de Vigilância Colaborativa, atualmente implementada em mais de 83 países.

O programa busca integrar diferentes sistemas de monitoramento epidemiológico, permitindo que informações sobre doenças e possíveis surtos sejam compartilhadas entre instituições de saúde e governos.

Além disso, a OMS planeja desenvolver sistemas digitais seguros para facilitar o intercâmbio internacional de dados, considerados essenciais para a identificação e o controle de ameaças que ultrapassam fronteiras.

Centro foi criado após falhas identificadas na pandemia de Covid-19

O Centro de Inteligência sobre Pandemias e Epidemias foi criado em 2021, com apoio do governo alemão, como resposta às fragilidades dos sistemas internacionais de vigilância sanitária evidenciadas pela pandemia de Covid-19.

Desde sua criação, a instituição trabalhou com 160 Estados-membros da OMS, 190 organizações parceiras e milhares de cientistas e responsáveis pela formulação de políticas públicas.

Entre suas principais atividades estão a detecção de ameaças epidêmicas, a identificação e o sequenciamento de patógenos e o apoio à implementação de respostas rápidas para proteger populações vulneráveis.

Durante a apresentação da nova estratégia, Tedros afirmou que o centro se tornou parte integrante do sistema global de segurança em saúde.

A OMS considera que a ampliação dessas capacidades poderá reduzir o intervalo entre o surgimento de uma ameaça e a adoção de medidas de prevenção, aumentando as possibilidades de conter surtos antes que alcancem proporções internacionais.

A meta de identificação em até 24 horas, entretanto, ainda depende do fortalecimento da infraestrutura de saúde, da capacitação de profissionais e da cooperação entre os países.

Com a estratégia, a organização pretende consolidar, até 2030, uma rede global capaz de reconhecer rapidamente ameaças emergentes, enquanto outras ações previstas no plano deverão ser desenvolvidas até 2031.


Diario do RN

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