O Seridó é a região do Rio Grande do Norte que mais preocupa diante dos impactos esperados do El Niño, fenômeno que pode provocar uma redução acentuada das chuvas no Estado. Segundo o secretário estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Paulo Varella, a situação exige atenção principalmente porque a maior parte dos reservatórios da região teve pouca ou nenhuma recarga durante o período chuvoso deste ano.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e produz efeitos diferentes sobre o regime de chuvas em diversas partes do mundo. No Nordeste brasileiro, a influência do fenômeno pode favorecer a redução das precipitações.
Além disso, de acordo com o meteorologista da Emparn, Gilmar Bistrot, o efeito do El Ninõ no estado está entrando na categoria “forte” e deve ser classificado como “muito forte” entre outubro e novembro deste ano. Segundo com Varella, mais de 95% do território potiguar está inserido no semiárido e, portanto, sujeito aos efeitos da redução das precipitações associada ao El Niño. A situação do Seridó, no entanto, é considerada mais delicada pelas condições atuais dos reservatórios.
“Dentro da questão da vulnerabilidade, a área do Seridó aparece como uma área que merece uma atenção especial. Não pela quantidade de chuva diferenciada em relação aos outros, mas pela recarga dos reservatórios que foi estabelecida neste ano”, afirmou.
A principal exceção foi a Barragem de Oiticica, que, segundo o secretário, chegou a 75% de armazenamento. O reservatório tem capacidade para 560 milhões de metros cúbicos. Em outros importantes açudes da região, o cenário foi diferente.
“Praticamente todo o resto da açudagem potiguar não pegou água. Os açudes de Gargalheiras, Dourado, Sabugi, Boqueirão de Parelhas, Esguicho, Passagem das Traíras, Itans, enfim, a açudagem do Seridó teve uma recarga pífia”, disse Varella.
Segundo o secretário, a expectativa é de que o fenômeno provoque diminuição das chuvas principalmente no semiárido potiguar, enquanto o impacto tende a ser menor no litoral leste.
Uma eventual redução mais acentuada das chuvas pode ter reflexos diretos sobre o abastecimento de água, principalmente pela menor recarga dos reservatórios. Os efeitos também podem atingir atividades econômicas que dependem da disponibilidade hídrica.
No setor agropecuário, uma das preocupações é a redução da produção de forragem e, consequentemente, da disponibilidade de alimento para os rebanhos. A indústria e outras atividades produtivas também podem ser afetadas. “A redução do padrão das chuvas implicará em impactos no abastecimento das cidades, porque haverá restrição de recarga dos açudes, dos nossos reservatórios. Haverá impactos do ponto de vista econômico e social”, afirmou Varella.
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