A cozinha jurídica de Brasília anda a todo vapor e o cardápio da semana não economiza nos temperos seletivos. Sob a égide da "defesa institucional", os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) seguem refinando o conceito de Sabor democracia.
A primeira iguaria foi servida pelo ministro Alexandre de Moraes, que abriu um inquérito contra o atual líder das pesquisas, Flávio Bolsonaro (PL). O crime seria suposta calúnia contra seu principal adversário nas urnas, o presidente Lula. A Corte assume o papel de sommelier da crítica política, decidindo qual ataque é jogo democrático e qual deve ser processado em banho-maria judicial.
Não satisfeito com a entrada, o ministro Gilmar Mendes resolveu pedir um reforço no pedido. O alvo da vez é o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que pode ser vice de Flávio. Zema cometeu o pecado mortal de postar um vídeo com críticas diretas a Gilmar e Dias Toffoli sobre a condução do Caso Master.
Inclusão direta no elástico Inquérito das Fake News, o buraco negro processual que abriga qualquer um que ouse questionar o brilho das togas.
Críticas à Suprema Corte não são mais opiniões políticas, são itens proibidos no buffet brasiliense. Ao mirar simultaneamente no líder das pesquisas presidenciais e em um dos governadores mais populares do país, o STF deixa claro que o Sabor Democracia é um prato feito: você engole o que é servido, ou acaba no caderninho de Alexandre de Moraes.
Ismael Souza

Nenhum comentário:
Postar um comentário