quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Presidente da Conafer é preso pela PF em Brasília por suspeita de fraude bilionária no INSS

 


A Polícia Federal (PF) prendeu, na noite desta quarta-feira (12), em Brasília, o presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Lopes. Investigado na Operação Sem Desconto, ele era considerado foragido desde novembro de 2025 e se apresentou espontaneamente na Superintendência Regional da PF no Distrito Federal.

Segundo a Polícia Federal, Lopes foi formalmente indiciado por suposta participação em um esquema de descontos indevidos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O relatório da investigação foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.De acordo com o inquérito, a PF atribui ao dirigente os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro qualificada e corrupção ativa majorada. Após os procedimentos de praxe, ele deverá ser encaminhado ao sistema prisional do Distrito Federal.

Esquema envolvia descontos sem autorização

As investigações apontam a Conafer como uma das principais entidades envolvidas em um esquema de filiações fraudulentas. Conforme a apuração, aposentados e pensionistas do INSS tinham valores descontados mensalmente de seus benefícios sob a justificativa de pagamento de mensalidades associativas, mesmo sem autorização ou assinatura de qualquer termo de adesão.

O caso começou a ser investigado administrativamente pela Controladoria-Geral da União (CGU), em 2023. No ano seguinte, diante dos indícios de crimes, a Polícia Federal instaurou o inquérito da Operação Sem Desconto.Os investigadores estimam que os descontos considerados irregulares possam ter movimentado até R$ 6,3 bilhões, tornando o caso uma das maiores investigações envolvendo fraudes contra beneficiários da Previdência Social.

Operação já indiciou 48 pessoas

A primeira fase da Operação Sem Desconto terminou com o indiciamento de 48 investigados. Entre eles estão ex-integrantes da cúpula do INSS, como o ex-presidente Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios André Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca”.

Em novembro do ano passado, Carlos Lopes passou a ser considerado foragido após não ser localizado para o cumprimento do mandado de prisão. Na ocasião, a Conafer informou, por meio de nota, que o dirigente estava em viagem institucional em uma região de difícil acesso e sem comunicação.

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