A campanha Outubro Rosa reforça, todos os anos, a importância da prevenção, da informação e do diagnóstico precoce do câncer de mama. No Brasil, o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres - depois dos tumores de pele não melanoma. A doença ocorre quando células da mama passam a se multiplicar de forma desordenada e, em alguns casos, podem se espalhar para outras partes do organismo.
Para cada ano do triênio 2026–2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta 78.610 novos casos de câncer de mama no país. No Rio Grande do Norte, a estimativa é de 1.160 novos casos em 2026. Os números reforçam a relevância da campanha e evidenciam a necessidade de manter os cuidados com a saúde das mamas durante todo o ano.
O câncer de mama é uma doença multifatorial, tendo a idade como um dos principais fatores de risco. Cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos. Entre outras causas associadas estão: histórico familiar e predisposição genética, alterações hormonais e reprodutivas, excesso de peso corporal, sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas e exposição à radiação ionizante.
A mastologista e ginecologista, Dra. Ana Beatriz Oliveira Germano (CRM RN 7546 e RQEs 4199 | 4204), da Clínica de Oncologia e Mastologia de Natal, comenta que a adoção de hábitos saudáveis podem ajudar na prevenção. “É comprovado cientificamente que a atividade física regular, o controle do peso, inserindo uma dieta saudável no dia a dia, e a amamentação trazem benefícios ao corpo. Já a obesidade na pós-menopausa e o consumo excessivo de álcool são fatores de risco para o câncer de mama”..
Existem diferentes tipos de câncer de mama, com características biológicas e comportamentos distintos. Por isso, o diagnóstico precoce e preciso são fundamentais para que a equipe médica possa definir a estratégia de tratamento mais adequada ao paciente. Embora seja mais frequente em mulheres, o câncer de mama também pode ocorrer em homens, que representam cerca de 1% dos casos.
Nem todos os casos de câncer de mama podem ser evitados, especialmente porque alguns fatores de risco não são modificáveis, como idade, características genéticas e parte do histórico reprodutivo. Além da prevenção, a atenção às próprias mamas é importante. “A orientação é realizar o autoexame, conhecer o próprio corpo e ficar atenta para identificar alterações que não eram habituais. E, ao perceber alguma mudança suspeita, procurar avaliação profissional imediata”, enfatiza Dra. Ana Beatriz.
Para todas as mulheres com risco habitual, o rastreamento deve ser iniciado aos 40 anos, sendo a mamografia o exame recomendado, com periodicidade anual, se estiver normal. “E, para mulheres com mamas densas, é recomendado considerar a realização da ultrassonografia anual como método complementar”, indica a mastologista. A detecção precoce envolve o diagnóstico rápido de pessoas que apresentam sinais ou sintomas suspeitos e o rastreamento, realizado em pessoas sem sintomas para identificar alterações que possam indicar câncer; tendo o exame da mamografia como uma das principais ferramentas para o rastreamento, que identifica alterações suspeitas antes mesmo que sejam percebidas pela mulher.
“A investigação começa pela avaliação clínica e pode envolver exames de imagem, como mamografia e ultrassonografia. Dependendo dos achados, outros exames podem ser indicados. Quando existe uma alteração suspeita, a biópsia é o procedimento utilizado para retirar uma amostra do tecido e permitir a confirmação do diagnóstico. E a análise do material também ajuda a identificar características importantes do tumor, que serão consideradas na definição do tratamento”, explica a mastologista.
O câncer de mama pode se manifestar de diferentes maneiras. Fique atento ao surgimento de: nódulo ou caroço endurecido na mama; nódulo que cresce ou persiste; saída espontânea de líquido, especialmente com sangue, por um dos mamilos; retração da pele ou do mamilo; mudança no formato da mama; aumento progressivo do tamanho da mama; pele com aspecto semelhante à “casca de laranja”; lesão ou alteração na pele da mama que não melhora; presença de caroços ou aumento de gânglios na região das axilas.
Essas alterações não significam necessariamente que exista um câncer, já que diversas condições benignas podem provocar sintomas semelhantes. No entanto, precisam ser avaliadas para exames e diagnóstico correto.
Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores tendem a ser as possibilidades de tratamento efetivo e de abordagens menos agressivas. O prognóstico depende, entre outros fatores, do tipo de tumor, de suas características biológicas e do estágio em que a doença é diagnosticada.
O tratamento do câncer de mama não é igual para todos os pacientes, e a escolha depende do tipo e das características do tumor, do estágio da doença e das condições clínicas de cada pessoa. Entre as possibilidades estão cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo, que podem ser utilizadas isoladamente ou combinadas, de acordo com a necessidade de cada caso.
A cirurgia pode ser conservadora, com preservação de parte da mama, ou envolver a retirada total da mama, quando indicada. A reconstrução mamária também pode fazer parte do planejamento terapêutico. O avanço dos métodos de diagnóstico e das opções terapêuticas têm contribuído para tratamentos cada vez mais individualizados, reforçando a importância de identificar a doença em fases iniciais e garantir acesso adequado ao cuidado.

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