Natural de Natal, Oscar Schmidt construiu uma trajetória no basquete internacional sem romper os vínculos com a cidade onde nasceu. O atleta, que morreu nesta sexta-feira 17, manteve ao longo da vida uma relação afetiva com a capital potiguar, marcada por retornos públicos e lembranças da infância.
Uma das passagens mais lembradas ocorreu em 2016, quando conduziu a tocha olímpica dos Jogos do Rio de Janeiro diante de uma multidão. O percurso foi realizado na Ribeira, na rua em frente ao Colégio Salesiano São José, onde estudou. Na ocasião, esteve acompanhado da mulher, Maria Cristina, do filho, Felipe, e da mãe, Dona Janira.
“É a maior emoção da minha vida. Conduzir a tocha na minha cidade Natal, ao lado da minha mulher, do meu filho, da minha mãe, dos meus amigos e de toda a população, é simplesmente sensacional. Já conduzi a tocha em outras ocasiões, mas essa é extremamente especial. Se você parar para pensar, é só você no mundo inteiro, em alguns minutos, que está com a Tocha Olímpica”, contou, emocionado, à época.
A última participação pública de Oscar em Natal ocorreu quando foi convidado de honra da abertura dos Jogos dos Comerciários. O evento foi realizado no Palácio dos Esportes, onde ele falou com atletas e estudantes do Sesc sobre a prática esportiva.
Em notas divulgadas na noite desta sexta-feira 17, órgãos públicos e instituições lamentaram a morte do ex-jogador. O Governo do Estado ressaltou a trajetória do atleta e sua origem potiguar. “O Rio Grande do Norte se despede com orgulho de um filho que levou o sangue potiguar às quadras do mundo inteiro”, diz um trecho da nota.
A Prefeitura de Natal também manifestou pesar, lembrando a carreira e o impacto do jogador no esporte: “Oscar foi o maior expoente do basquete brasileiro e um dos maiores atletas da história mundial”.
Já os Salesianos do Rio Grande do Norte citaram a ligação de Oscar com o Colégio Salesiano São José, onde estudou, e a relação mantida com a instituição ao longo dos anos. “Sua trajetória inspira não apenas pelo talento em quadra, mas, sobretudo, pelos valores que sempre transmitiu: perseverança, respeito e compromisso”, diz a nota.
Trajetória do atleta
Oscar Daniel Bezerra Schmidt nasceu em 16 de fevereiro de 1958, em Natal. O interesse pelo basquete começou aos 13 anos, já em Brasília, após incentivo do técnico Zezão, que o orientou a procurar o Clube Vizinhança, treinado por Laurindo Miura.
Aos 16 anos, em 1974, mudou-se para São Paulo para atuar no infanto-juvenil do Palmeiras. Em 1977, foi convocado para a seleção juvenil e eleito melhor pivô do Sul-Americano da categoria. Na seleção principal, conquistou título sul-americano e medalha de bronze.
Em 1979, venceu a Copa William Jones, considerada o mundial interclubes da modalidade. No ano seguinte, disputou a primeira Olimpíada, em Moscou. Participou ainda de outras quatro edições: Los Angeles (1984), Seul (1988), Barcelona (1992) e Atlanta (1996), sendo cestinha em todas.
O atleta atuou por 11 temporadas na Itália, sendo oito pelo Juvecaserta e três pelo Pavia. Em 1995, retornou ao Brasil para jogar no Corinthians, onde conquistou, em 1996, o oitavo título brasileiro da carreira. Depois, passou por Banco Bandeirantes, Mackenzie e Flamengo.
No clube carioca, atingiu a marca de maior pontuador da história do basquete, com 49.737 pontos, superando Kareem Abdul-Jabbar, que tinha 46.725. Em 1991, foi incluído entre os 50 maiores jogadores da história pela Fiba e, posteriormente, integrou o Hall da Fama da NBA. Encerrou a carreira em 2003.

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